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A QUEM POSSA INTERESSAR Visite o site de Ecologia Integral (integral-ecology.net). Oferecemos um Curso Intensivo sobre Ecologia Integral (1 mês), e Workshop (3 dias) na sua Instituição, Universidade, ou Comunidade. Para maiores informações, consulte-nos. fabioxoliveira2007@gmail.com ou vlopes@txstate.edu
Escrito por redação gaian às 20h38
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O Gaian Institute (http://www.gaianinstitute.org) é uma organização sem fins lucrativos, que promove através da educação e pesquisa, sociedades mais pacíficas, justas, participativas e ecologicamente conscientes.
A missão do Gaian Institute é trabalhar a favor de uma Sociedade, na qual os seres humanos se identifiquem não somente com a comunidade local, mas também com a comunidade global do Planeta.
O Gaian Institute explora formas alternativas de desenvolvimento sócio-econômico através da pesquisa integrada (interdisciplinar), da educação comunitária e formas de sistemas adaptativos de governos.
As Universidades, Instituições portuguesas, ONG’s, cientistas, pesquisadores, professores, estudantes e demais interessados no Gaian Institute e no tema em referência, poderão contactar com:
EUA, e-mail: contact@gaianinstitute.org
Brasil, e-mail: gaian_institute@yahoo.com.br
Portugal, e-mail: gaian_portugal@yahoo.com.br
Escrito por redação gaian às 16h30
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A interação com os animais domésticos traz benefícios aos humanos
A partir do momento, que é despertada a necessidade de preservarmos o meio ambiente, surge uma nova concepção de relacionamento, voltada para o respeito a todas as formas de vida, onde inclui-se os animais.
O animal que antes servia apenas de suporte, evoluiu também para animal de estimação. Sua relação com o ser humano tornou-se tão complexa que, ao entrar para uma família, ele é capaz de provocar alterações no comportamento de todos os seus membros. Ele passa a compartilhar hábitos humanos, muitas vezes, adquire o status de uma pessoa. No caso de seu desaparecimento, sua falta é sentida com muita intensidade.
Com todos os avanços da ciência, pesquisas mostram, que o convívio com os animais, é considerado um dos melhores recursos terapêuticos. Os animais domésticos passaram a ser considerados importantes na sociedade, por oferecer apoio emocional.
Para quem vive na cidade, representam contato com a natureza. Está nos genes humanos apreciar a interação com animais e plantas. A simples presença de um animal de estimação pode ser relaxante, ajudar a diminuir a pressão sangüínea e o estresse. Alguns animais são mais benéficos que outros.
O efeito relaxante aparece menos quando se tem um peixe num aquário ou pássaros na gaiola. Os resultados dependem de contato, portanto, aqueles que podem ser tocados, como cachorros e gatos, são mais eficientes. Gatos são particularmente úteis no tratamento de pessoas com tendências depressivas. Ao contrário dos cachorros, buscam o carinho dos donos só quando requisitados.
Atualmente, em muitos lugares, os animais são usados na recuperação de doentes, convalescentes e até presidiários. Na Europa, 30% das terapias de recuperação utilizam animais. Em San Francisco, nos Estados Unidos, existe um programa em que cães e gatos oferecem conforto a pacientes terminais de Aids.
A preocupação em criar leis para defender os animais de todos os tipos de exploração, cometidas nos circos, em rodeios e, também o combate ao tráfico de animais silvestres e um interesse muito grande em salvar algumas espécies da extinção, demonstram que os homens estão conscientes que estas atitudes representam assegurar o equilíbrio do planeta.
O grande desafio dos centros urbanos que visam a melhoria da qualidade de vida enfocando a ética, é conseguir implantar e fortalecer a idéia, de que o bem estar animal não pode mais ser considerado como um ato de caridade e sim como uma obrigação legal .
A população de pequenos animais, que vivem e sobrevivem, em relação direta com as condições do meio ocupado pelo homem, não podem continuar sendo abandonados. Esta situação requer a urgência de unir esforços da comunidade, para que se obtenha o controle de natalidade, enfatizando a necessidade de sensibilização da população sobre a posse responsável de animais de estimação.
O abandono de um animal é um ato cruel e degradante, demonstração clara, de falta de caráter e incapacidade para assumir compromissos, e caracteriza-se num crime.
A necessidade de implantarmos, uma nova mentalidade capaz de permitir uma relação de respeito e proximidade com os animais e a natureza em geral, permitirá o desenvolvimento de uma sociedade cada vez mais harmoniosa.
Fonte: Vininha F. Carvalho - Del Valle Editoria
Escrito por redação gaian às 09h52
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Mudança climática já suscita reestruturação econômica, aponta estudo
da France Presse, em Nova York
A mudança climática já provoca uma vasta reestruturação econômica e industrial planetária induzida pelas regulamentações públicas e as ações das empresas que se encaminham para esta postura, afirma uma pesquisa realizada com grandes grupos industriais mundiais.
O estudo foi feito pelo Carbone Disclosure Project (CDP), organismo sem fins lucrativos com sede em Londres que representa 315 grandes investidores, como companhias de seguro e bancos.
O relatório do CPD, que vem sendo lançado anualmente há cinco anos, será apresentado nesta segunda-feira em Nova York pelo ex-presidente Bill Clinton, em paralelo à cúpula sobre clima realizada na esfera das Nações Unidas.
"Essa reestruturação [econômica e industrial] já começou a redefinir as bases competitivas e das atuações financeiras das empresas e de seus investidores", destaca o documento.
"Nós representamos os investidores e, em nome deles, pedimos às maiores companhias mundiais que revelem o volume de suas emissões de gás que produzem o efeito estufa e digam também como lidam com os riscos relacionados à mudança climática", explicou Paul Dickinson, diretor-geral do CDP.
A análise das respostas das 1.300 empresas que atuam nos setores de energia automobilística mostra que os grandes grupos industriais do mundo "elaboraram nos últimos anos estratégias e construíram estruturas para minimizar as conseqüências financeiras potencialmente negativas do aquecimento global e para melhorarem sua competitividade", de acordo com o relatório.
A pressão sobre as empresas para se adaptarem vem dos investidores "porque eles querem proteger seu dinheiro e se beneficiar o mais rápido possível das indústrias do futuro", explicou Dickinson.
De acordo com o diretor-geral do CDP, o valor dos investimentos na "energia verde" já está na casa dos bilhões de dólares.
Escrito por redação gaian às 14h57
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China proíbe uso de carros por um dia para combater poluição
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Marina Wenzel
de Hong Kong |
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Trânsito de bicicletas é proibido nas principais avenidas de Xangai |
O governo chinês lançou nesta segunda-feira uma campanha nacional pedindo que as pessoas substituam os carros por bicicletas durante uma semana e decretou a proibição do uso de automóveis no último dia da semana, o próximo sábado, dia 22 de setembro.
Moradores de 108 cidades foram convidados a deixar o automóvel na garagem e pedalar, ou utilizar o sistema público de transporte, em nome do meio-ambiente.
O objetivo é reduzir as emissões de gás carbônico e chamar atenção ao problema da poluição urbana, bem como aliviar os congestionamentos.
Esta é a primeira campanha de conscientização 'verde' de alcance nacional.
No próximo sábado, o país terá "um dia sem carros", quando a circulação de automóveis particulares estará proibida entre as 07h00 e 19h00.
Cidades importantes como Xangai, Pequim e Tianjin participam do esforço. A campanha deverá se repetir todos os anos.
"Esperamos cortar 33 milhões de litros de gasolina e três mil toneladas de emissões de gás carbônico" disse Qiu Baoxing, vice-ministro do Ministério da Construção, unidade do governo responsável pela ação.
Em áreas como Xangai e Wuhan, o Partido Comunista emitiu memorandos avisando os membros que a elite política não terá benefícios. Todos carros oficiais estão obrigados a cumprir igualmente a proibição e não circularão no sábado.
Ar mais limpo
Somente em Pequim, de acordo com a imprensa estatal, metade da população utiliza a rede de transporte público, 20% caminha ou vai de bicicleta, enquanto que os restantes 30% circulam em carro próprio.
A frota da capital tem mais de três milhões de veículos e a cada dia aproximadamente mil novas licenças para carros são emitidas pela prefeitura, segundo números do jornal China Daily.
No mês de agosto, automóveis de números pares e ímpares circularam alternadamente durante quatro dias em um esforço na capital chinesa para baixar os níveis de poluição.
Durante o período, a iniciativa diminuiu em 40% o total de carros que habitualmente trafegam pela cidade.
Segundo análises de qualidade do ar feitas com amostras obtidas durante o rodízio, a concentração de poluentes caiu entre 15% e 20%, comprovando que a quantidade de carros em circulação nas ruas tem influência direta sobre a qualidade do ar.
As autoridades pretendem repetir o sistema de rodízio durante os Jogos Olímpicos, para garantir que atletas e turistas respirem um ar menos poluído durante o evento, em agosto de 2008.
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Escrito por redação gaian às 18h53
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TERRA ENCONTRA-SE "EM ESTADO TERMINAL", ALERTA PAI DA TEORIA DE GAIA
Madri, 7 mar (EFE). - O aquecimento global faz com que a Terra encontre-se em "estado terminal", e combater essa situação com energias renováveis é como tratar um doente grave com "medicina alternativa", disse hoje, em entrevista à agência Efe, o cientista britânico James Lovelock, pai da Teoria de Gaia.
Na entrevista, concedida antes da apresentação, em Madri, de seu livro "A vingança da Terra", Lovelock admitiu que a obra não diz nada que não conste do recente relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), mas traduz a linguagem científica para o público em geral, e "fala de suas possíveis conseqüências para a humanidade".
A Teoria de Gaia, que o cientista apresentou no começo dos anos 70, argumenta que a Terra se comporta como um grande organismo vivo capaz de se auto-regular e reagir às mudanças.
Fazendo uma analogia com a saúde do ser humano, Lovelock, de 87 anos, alertou que nosso planeta encontra-se em "estado terminal", similar ao de uma pessoa que sofra de doença no coração ou nos rins.
Em 2040, afirmou, serão normais os verões como o que castigou a Europa há quatro anos, deixando cerca de 15.000 mortos na França.
O calor "poderia ser combatido com aparelhos de ar condicionado", pois seria similar, por exemplo, ao de Bagdá, mas uma alta tão drástica das temperaturas impediria a sobrevivência dos cultivos no sul da Europa e provocaria migrações rumo aos países mais frios.
Portanto, Lovelock considera que os Governos deveriam concentrar seus esforços na adaptação à mudança, construindo casas adequadas, hospitais e infra-estruturas para os deslocados, "em vez de perder o tempo lutando contra a mudança climática com as energias renováveis".
"Não é que eu queira atirar pedras contra (o Protocolo de) Kyoto, mas a situação é mais urgente do que quando ele foi planejado, há dez anos", afirmou.
Defensor da energia nuclear, o cientista considera que esta é "a única fonte de energia bem conhecida em escala planetária e quase sem efeitos negativos".
"Enquanto 40 anos de resíduos de uma usina nuclear podem ser armazenados em um pequeno edifício, o CO2 (dióxido de carbono) emitido anualmente pela queima de combustíveis fósseis formaria, em estado sólido, uma montanha de 1.600 metros de altura e 20 quilômetros de área", acrescentou.
Apesar de suas previsões, Lovelock não se considera uma pessoa pessimista. O cientista disse que a humanidade sobreviveu a sete mudanças climáticas similares à atual durante seu milhão de anos de existência.
Escrito por redação gaian às 12h47
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Ecologia integral
A ecologia integral - parte de uma nova visão da Terra. É a visão inaugurada pelos astronautas a partir dos anos 60 quando se lançaram os primeiros foguetes tripulados. Eles vêem a Terra de fora da Terra. De lá, de sua nave espacial ou da Lua, como testemunharam vários deles, a Terra aparece como resplandecente planeta azul e branco que cabe na palma da mão e que pode ser escondido pelo polegar humano. Daquela perspectiva, Terra e seres humanos emergem como uma única entidade. O ser humano é a própria Terra enquanto sente, pensa, ama, chora e venera. A Terra emerge como o terceiro planeta de um Sol que é apenas um entre 100 bilhões de outros de nossa galáxia, que, por sua vez, é uma entre 100 bilhões de outras do universo, universo que, possivelmente, é apenas um entre outros milhões paralelos e diversos do nosso. E tudo caminhou com tal calibragem que permitiu a nossa existência aqui e agora. Caso contrário não estaríamos aqui. Os cosmólogos, vindos da astrofísica, da física quântica, da biologia molecular, numa palavra, das ciências da Terra, nos advertem que o inteiro universo se encontra em cosmogênese. Isto significa: ele está em gênese, se constituindo e nascendo, formando um sistema aberto, sempre capaz de novas aquisições e novas expressões. Portanto ninguém está pronto. Por isso, temos que ter paciência com o processo global, uns com os outros e também conosco mesmo, pois nós, humanos, estamos igualmente em processo de antropogênese, de constituição e de nascimento.
Três grandes emergências ocorrem na cosmogênese e antropogênese:
(1) a complexidade/diferenciação,
(2) a auto-organização/consciência e
(3) a religação/relação de tudo com tudo. A partir de seu primeiro momento, após o Big-Bang, a evolução está criando mais e mais seres diferentes e complexos (1).
Quanto mais complexos mais se auto-organizam, mais mostram interioridade e possuem mais e mais níveis de consciência (2) até chegaram à consciência reflexa no ser humano. O universo, pois, como um todo possui uma profundidade espiritual. Para estar no ser humano, o espírito estava antes no universo. Agora ele emerge em nós na forma da consciência reflexa e da amorização. E, quanto mais complexo e consciente, mais se relaciona e se religa (3) com todas as coisas, fazendo com que o universo seja realmente uni-verso, uma totalidade orgânica, dinâmica, diversa, tensa e harmônica, um cosmos e não um caos.
As quatro interações existentes, a gravitacional, a eletromagnética e a nuclear fraca e forte, constituem os princípios diretores do universo, de todos os seres, também dos seres humanos. A galáxia mais distante se encontra sob a ação destas quatro energias primordiais, bem como a formiga que caminha sobre minha mesa e os neurônios do cérebro humano com os quais faço estas reflexões. Tudo se mantém religado num equilíbrio dinâmico, aberto, passando pelo caos que é sempre generativo, pois propicia um novo equilíbrio mais alto e complexo, desembocando numa ordem, rica de novas potencialidades.
Uma visão libertadora
A ecologia integral procura acostumar o ser humano com esta visão global e holística. O holismo não significa a soma das partes, mas a captação da totalidade orgânica, una e diversa em suas partes, mas sempre articuladas entre si dentro da totalidade e constituindo esta totalidade. Esta cosmovisão desperta no ser humano a consciência de sua funcionalidade dentro desta imensa totalidade. Ele é um ser que pode captar todas estas dimensões, alegrar-se com elas, louvar e agradecer aquela Inteligência que tudo ordena e aquele Amor que tudo move, sentir-se um ser ético, responsável pela parte do universo que lhe cabe habitar, a Terra. Ela, a Terra, é, segundo notáveis cientistas, um superorganismo vivo, denominado Gaia, com calibragens refinadíssimas de elementos físico-químicos e auto-organizacionais que somente um ser vivo pode ter. Nós, seres humanos, podemos ser o satã da Terra, como podemos ser seu anjo da guarda bom. Esta visão exige uma nova civilização e um novo tipo de religião, capaz de re-ligar Deus e mundo, mundo e ser humano, ser humano e a espiritualidade do cosmos.
O cristianismo é levado a aprofundar a dimensão cósmica da encarnação, da inabitação do espírito da natureza e do panteísmo, segundo o qual Deus está em tudo e tudo está em Deus. Importa fazermos as pazes e não apenas uma trégua com a Terra. Cumpre refazermos uma aliança de fraternidade e de respeito para com ela. E sentirmo-nos imbuídos do Espírito que tudo penetra e daquele Amor que, no dizer de Dante, move o céu, todas as estrelas e também nossos corações. Não cabe opormos as várias correntes da ecologia. Mas discernirmos como se complementam e em que medida nos ajudam a sermos um ser de relações, produtores de padrões de comportamentos que tenham como conseqüência a preservação e a potenciação do patrimônio formado ao longo de 15 bilhões de anos e que chegou até nós e que devemos passá-lo adiante dentro de um espírito sinergético e afinado com a grande sinfonia universal.
fonte: DHnet
Escrito por redação gaian às 17h56
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LIVRO - SUGESTÃO
 
As Três Ecologias
Felix Guattari
O autor registra nessa obra três ecologias - a do meio ambiente, a das relações sociais e a da subjetividade humana, manifestando sua indignação perante um mundo que se deteriora lentamente. Propõe também fórmulas para reinventar maneiras de ser no interior do casal, da família, do trabalho e da cidade.
Escrito por redação gaian às 17h58
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Pegada ecológica e social
Leonardo Boff
Quanto agüenta a Terra em sua generosidade ao nos forncecer todas as condições para que possamos viver, nos reproduzir e coevoluir? Não só nós, mas toda a comunidade de vida que vai das bactérias aos vegetais e animais? Ela é um planeta pequeno, finito em seus recursos e já velho. Temos que viver dentro das capacidades de fornecimento e de reposição, próprios da Terra e não ao nosso bel prazer. A espécie homo sapiens/demens ocupou 83% do planeta e consumiu excessivamente a ponto de a Terra já ter ultrapassado em 25% sua capacidade de recarga. A seguir esta lógica, o planeta quebra como qualquer empresa que gasta mais do que ganha.
Como todos extraem da Terra seus recursos para viver, quanto de chão cada um precisa para garantir sua sobrevivência? Quanto de terra produtiva, área florestal, energia, habitação, água, mar, urbanização e capacidade de absorção dos dejetos cada pessoa necessita? A esse conjunto de fatores ecológicos e sociais se chama de pegada ecológica e social, expressão cunhada por Martin Rees e Mathis Wackernagel ao fazerem um estudo sobre o tema para o Conselho da Terra em 1977. Eles tomaram como referência de cálculo o número de hectares necessários para que cada um, cada cidade e cada país possam viver de forma minimamente decente. O planeta dispõe de 10.8 bilhões de hectares produtivos que é menos que 25% de sua superfície. Para cada pessoa viver fazem-se necessários pelo menos 2.8 hectares. Esta seria a pegada ecológica média geral.
Como 18% da humanidade consome 80% dos recursos vitais e os hábitos de consumo variam consoante as regiões e as culturas, varia também a porcentagem de hectares per capita usados. Assim a Europa, os Estados Unidos, o Japão, a Índia e a China vivem muito acima daquilo que lhes é permitido por seus recursos ecológicos, com uma pegada que vai de 200% até 600% (é o caso do Japão) de sua biocapacidade nacional. Isto significa que se uma região se apropria de mais hectares para manter seu alto nível de consumo (Norte), a outra deverá forçosamente ocupar menos (Sul). Em outras palavras, o consumo alto de um pais ou região comporta um subconsumo baixo no outro. Por ai se entende a profunda falta de equidade na repartição dos bens e o caráter desigual de todo o processo de produção e consumo mundial.
A biocapacidade total do território brasileiro é de 18.615.000 pontos. A pegada ecológico-social brasileira é de 2.6 hectares. Nossa biocapacidade excede tanto a nossa demanda que o Brasil poderia ser a mesa posta para as fomes e as sedes do mundo inteiro. Mas nos países notam-se profundas diferenças. Enquanto um habitante de Bengladesh possui uma pegada de 0,5 hectares, a de um norte-americano é de 9,6. Em outras palavras, se todos os habitantes da Terra tivessem o nível de consumo norte-americano, precisaríamos de três Terras semelhantes a nossa para garantirmos os recursos energéticos e materiais suficientes. Vivemos, pois, sem nenhuma humanidade e solidariedade. Por isso esse modo de viver é totalmente insustentável e pode levar ecologicamente a Terra a um colapso.
O ideal que a Carta da Terra propõe para todos é um "modo sustentável de viver": produzir em consonância com os sistemas vivos, contendo nossa voracidade e dando tempo para que a Terra se regenere e continue a oferecer a nós e à comunidade de vida tudo o que todos precisam.
Escrito por redação gaian às 22h36
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Zerzan e Quinn
 
John Zerzan e Daniel Quinn têm críticas semelhantes à civilização. Ambos concordam que a condição original do homem não era baseada em dominação, e que isso só mudou muito recentemente na história humana. Eles se apóiam em antropologia e arqueologia para afirmar isso, e acreditam na importância da sabedoria sensual, ou seja, a sabedoria que está aquém e além do conhecimento técnico e objetivo.
Ambos se defendem da acusação de romantizar os tribais. Zerzan diz que caçadores de cabeças e canibais já eram dominadores, que embora não sejam plenamente civilizados, não são plenamente não-civilizados. Quinn diz que não podemos julgá-los, o fato de terem um modo de vida satisfatório e sustentável é o que interessa.
O início da agricultura não se deu por motivos de sobrevivência, a vida que os homens levavam não era miserável ou árdua. Zerzan aponta que tribais conheciam seus corpos bem o bastante para evitar gravidez indesejável, além de conhecer plantas contraceptivas. Isso explica a estabilidade populacional sem dizer que tribais tinham uma mortalidade alarmante. Quinn usa uma aproximação diferente, usando estudos de dinâmica populacional que dizem que a população humana é um fator da produção de comida, e não o oposto.
Ambos concordam que a civilização foi imposta por uma minoria. Eles criticam a divisão de trabalho, mas Zerzan vai mais longe criticando não apenas o que Quinn chama de “agricultura expansiva”, mas toda a domesticação de plantas, animais e do próprio homem. Para Zerzan, os conceitos de tempo, de número, de linguagem e de arte dependem da civilização. Quinn não afirma isso, e em certos momentos ele até mesmo considera a “capacidade de contar histórias” como uma qualidade essencialmente humana, ainda que diga que ela tenha surgido com a caça. Para Zerzan, a caça não é uma característica essencialmente humana, e logo eles discordariam sobre necessidade da linguagem.
A criação do relógio, por exemplo, é para Zerzan a transformação do tempo em algo concreto, e isto aprimora a dominação porque nos torna sujeitos a uma rotina, a uma história linear. A rotina mental e corporal é uma adestração do humano, uma programação que subjuga os instintos. Certamente as religiões tiveram influência nesse processo. Mas para Quinn, não trata de negar as religiões, e sim as religiões salvacionistas. Haveria uma religião original e universal, que o animismo. Alguns críticos de Quinn o acusam de ser um “animista fundamentalista”.
Quinn enfatiza que a questão não é a tecnologia. Já Zerzan enfatiza que nossa tecnologia não é neutra, não é resultado de pura curiosidade guiada pelas necessidades humanas, e sim pelas necessidades civilizadas. Para ele, a sociedade tecno-industrial nos aliena de nossas experiências genuínas. Porém nesse ponto Zerzan parece advogar por uma realidade imediata, o que foi criticado por diversos filósofos. Já Quinn usa poucos conceitos e cita poucos pensadores, porque procura atingir um público diferente. Quinn é um escritor de ficções, enquanto Zerzan escreve como filósofo. Apesar disso, Quinn parece acreditar mais numa mudança de mentalidade, enquanto Zerzan fala de ação direta, uma mudança de atitudes. O mote de Quinn é que não precisamos de novos programas de ação, mas de mentes novas.
Para Quinn, nossa cultura nos torna reféns de nosso progresso. O que antes significava a promessa de uma vida melhor, hoje é uma corrida para sobreviver. Enquanto Quinn afirma que Ted Kaczynski (o Unabomber) estava culpando apenas a tecnologia e não tinha uma crítica efetiva, Zerzan defende Kaczynski e suas intenções. E ainda que não defenda suas ações, ele é acusado de incitar violência.
O que ambos os autores trazem de novo e valioso para uma mudança é a idéia de que devemos atacar as causas dos problemas, ao invés de atacar apenas os efeitos. Eles fazem isso introduzindo os conceitos de civilização e de “nossa cultura”. Quinn chama isso de análise sistêmica. Existe uma assimilação capitalista das explosões de revolta juvenil, que se tornam apenas mais um modismo ou uma desculpa para vender produtos. Zerzan e Quinn viram isso acontecer nos anos 70 e 80, e nos alertam para que não cometamos o mesmo erro novamente.
Escrito por redação gaian às 13h38
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